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Documentário “O Dilema das Redes” [Resenha]

Uma breve resenha sobre como o documentário O Dilema das Redes usa dados de usuários. O texto trata sobre:

  • Os Dados dos Usuários

  • A Inteligência Artificial das Redes

  • O Impacto na Democracia

  • Importância da LGPD

O Dilema das Redes e dos Dados do Usuário  

“Se você não paga pelo produto, o produto é você.”  – Andrew Lewis (jornalista americano).

Há pouco tempo, mais um tema muito falado entrou em pauta em vários países, o documentário  de direção de Jeff Orlowski: “O Dilema das Redes”. Este famoso documentário da Netflix  nos faz pensar sobre o uso dos dados do usuário nas redes sociais hoje em dia. Sobre como sua privacidade e sua vida são expostas nas redes.

Assim sendo, esse documentário mostra de forma crítica com depoimentos de ex-funcionários de grandes empresas tecnológicas (Google, Facebook, Instagram, Pinterest) como essas grandes empresas e startups do Vale do Silício utilizam os dados dos usuários para prendê-los nas telas e venderem cada vez mais. O objetivo é o lucro de acordo com dados pessoais e algoritmos.

“Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software”. – Edward Tufte, professor de estatística da Universidade de Yale.

Além de reflexões sobre frases como essa, o documentário traz o choque de realidade de que as redes influenciam e mudam a forma como vemos o mundo. Estudos do documentário mostram que as redes influenciam a sociedade atual de forma direta. Isto é, afetam o psicológico, gerando gatilhos para doenças mentais como ansiedade e depressão.

O Dilema das Redes e a Inteligência Artificial  

Você sabe como trabalha a inteligência artificial das redes sociais? Nesse sentido, “O Dilema das Redes” nos mostra como a inteligência artificial age de maneira muito rápida. Não só ela coleta dados a cada clique, curtida, mas também coleta dados dos usuários a cada tempo lendo ou vendo alguma publicação. Dessa forma, ela cria um padrão de comportamento através desses dados coletados (algoritmos).

A partir de algoritmos inteligentes a rede social redirecionara os conteúdos para nichos específico de pessoas. E de quantos usuários as redes sociais coletam dados? Só para se ter uma ideia, somente o Facebook, a rede social mais popular em todo o mundo  possui mais de 1.84 bilhões usuários diários ativos.

E não é só isso, a cada minuto, 400 novos usuários se cadastram no Facebook. Então, são muitos dados pessoais  e análises de padrão de comportamento geradas nas redes sociais. Por sua vez, o Twitter por exemplo, contabiliza cerca de 500 milhões de tweets enviados todos os dias e é capaz de identificar com sua inteligência artificial as principais tags e trends nos assuntos dos usuários.

Mas qual é o Dilema das Redes, Afinal? Segundo o Documentário, o dilema das redes sociais está tanto no vício de seus consumidores quanto no uso proveitoso dos criadores. Mas ninguém escapa da influência, nem mesmo quem criou.

O Dilema das Redes e o Impacto na Democracia  

Segundo a reportagem de Marcelo Marthe, da revista VEJA, publicada em setembro de 2020: “Como a assustadora engrenagem das redes ameaça a saúde e a democracia”, no início do surgimento das redes o objetivo era aproximar os laços familiares, além de permitir que fosse feito bem social através de campanhas de doação de órgãos. Também ocorria união de grupos com interesses iguais e a abertura para que todos expressassem opiniões. Dessa forma, antes quem não tinha espaço social na mídia, ganhou voz. 

Mas, junto com a possibilidade de expressão, infelizmente surge também a propagação de discursos de ódio, as fake news, a polarização de grupos (as famosas bolhas sociais) e ações de ódio entre grupos que possuem opiniões diferentes, como, por exemplo, grupos de esquerda e grupos de direita, fato que, ao mesmo tempo que oferece liberdade de expressão, consequentemente traz dificuldades para o exercício pleno da democracia. 

Nesse sentido, o impacto causado pelas redes é mais sútil, mas pode ser notado pela mudança de comportamento nos meios online. A polarização existe justamente pela influência que os algoritmos causam, moldando o comportamento das pessoas. “O Dilema das Redes” nos mostra como a inteligência artificial trabalha de uma forma muito rápida, coletando dados a cada clique, curtida, cada tempo lendo ou vendo alguma publicação. Ela cria um padrão de comportamento através desses dados coletados (algoritmos), trazendo a polarização.

Desse modo, é visto que a propagação de discursos de ódio e polarização de grupos influencia e traz efeitos na política, carregando o meio político com de opiniões diversas e contraditórias, algumas extremistas. 

Assim, como mencionado na reportagem da VEJA, foi notável algum tempo atrás a influência dessa ameaça à democracia quando as redes influenciaram bastante nas eleições de Trump e Bolsonaro, trazendo grandes movimentações, a favor e contra. Além do impacto nas eleições, hoje são mobilizadas várias manifestações pelas redes sociais, são organizados movimentos e até mesmo lives mostrando em tempo real a movimentação política na manifestação. 

Além disso, a reportagem da VEJA traz o exemplo de 2018, na campanha presidencial brasileira, em que a internet foi bastante utilizada pelo candidato à presidência, o que passou a ser algo confuso e controverso, já que a propagação de fake news e grande movimentação online trouxe preocupação social com a possível manipulação que ocorria com a distorção das ideias, fato que até hoje é analisado e investigado no Tribunal Superior Eleitoral.

Logo, não há problema em expor opinião nas redes, pois vários políticos fazem movimentações hoje em dia a favor ou contra mudanças que trazem impacto social. O real problema é quando a agressão e os insultos ganham poder no meio online. E muitas vezes o perigo também está na influência que pessoas exercem nas redes sociais, porque uma grande escala de usuários que os acompanham podem seguir ideias erradas e muitas vezes perigosas.

O Dilema das Redes e a Importância da LGPD

O “Dilema das Redes” possui direta relação com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Ela foi criada especificamente para o controle e proteção de dados pessoais. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garante o direito de saber como, quando e onde os dados pessoais serão usados. Possui extrema importância para o bom uso da tecnologia. Isto é, age para que as pessoas comandem suas redes e o que querem ver, sem influência de algoritmos, propagandas e vícios.

Ela busca garantir todos os direitos possíveis dos titulares, como por exemplo: confirmação e o acesso aos dados pessoais com o motivo do seu armazenamento; a correção de dados incompletos; a anonimização de informações pessoais, a eliminação dos dados, e muito mais.

E quais são os dados que a LGPD vê importância em proteger? Alguns exemplos de dados pessoais são RG, CPF, e endereço. Também existem dados mais sensíveis e que podem gerar algum tipo de discriminação, por exemplo: orientação sexual, origem racial ou étnica e religião.

Quer saber mais detalhes sobre essa a importância da LGPD nas Startups?  Aqui o link que nós explicamos tudo!

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Sobre o autor

Bruna Marques

Bruna Marques

Graduanda em Gestão de Políticas Públicas na Universidade de Brasília - UNB. Diretora de Negociação na Publicae Consultoria Júnior - UNB. Colaboradora de conteúdo na DataPolicy.